28/03/2012


Carlos Seicentos conta sua história em palestra FIPEN

Carlos Seicentos conta sua história em palestra FIPEN

“Minha vida está ligada ao empreendedorismo.” Assim o empresário Carlos Seicentos começou a contar sua história de vida aos alunos e convidados presentes à sua palestra, ontem (29/03), no auditório da FIPEN – Faculdade Instituto Paulista de Ensino, no centro de Osasco.

Seicentos, que começou a carreira de empresário depois de se aposentar, contou que começou a trabalhar aos 14 anos. Dois anos depois, retomou os estudos por incentivo de seu irmão mais velho, que o matriculou em um curso de admissão para o ginásio (hoje, ensino médio). Em 1964, conseguiu um emprego em uma grande empresa metalúrgica de Osasco, a Cobrasma, onde realizou-se profissionalmente e ficou até sua aposentadoria, em 1990.

 

Quatro anos depois, desaminado em ficar sem uma atividade, resolveu montar sua própria empresa: a Bolsa do Aço. Era época de crise, quando o Plano Collor deixou todos os brasileiros somente com 50 mil cruzeiros no banco. Então, como montar uma empresa sem dinheiro? Por conta da crise, todas as empresas tinham estoques de matérias-primas, mas não sabiam o que fazer com aquilo tudo. Seicentos desenvolveu, então, um sistema para recolocar no mercado o aço que estava parado nas indústrias - um negócio totalmente novo no setor.

 

“A Bolsa do aço colocou de novo no mercado bens e serviços. Fazíamos a intermediação de materiais e insumos entre as diversas empresas. O negócio prosperou e ganhamos dinheiro numa época que quase ninguém conseguia esse feito!”, conta o empresário.

 

Em 1997, Seicentos saiu do setor de prestação de serviços e fez sua primeira incursão como industrial, produzindo flanges e anéis em uma fábrica antiga. Alugou uma pequena parte da Cobrasma - a empresa onde trabalhou por tantos anos e que estava fechada há muito tempo - e criou a Flanel. “Sem energia elétrica, é impossível fazer aço. A Cobrasma tinha uma dívida enorme com a Eletropaulo, mas conseguimos o perdão da dívida para voltar a produzir!”, explicou.

 

Em 2002, ele e outros sócios compraram em um leilão uma fábrica desativada e criaram outra empresa, a Flanaço. Mas ainda era pouco. Seicentos queria produzir o próprio aço! A resposta veio em um sonho - desses que temos dormindo, mesmo! Era inquilino de 12.000 m2 da Cobrasma e acabou absorvendo todo o restante - 140 mil m2 voltaram à ativa pelas suas mãos e de mais de 1500 colaboradores - muitos desses, aposentados que resolveram voltar ao trabalho, como Seicentos! O apito que marcava as horas de mudança de turnos da fábrica voltou a tocar na cidade de Osasco.

 

Vendiam o aço líquido para as empresas – inclusive multinacionais. A empresa trazia os moldes do que queria fabricar e recebiam o produto líquido, fervilhando! A notícia chegou a trazer o então presidente Lula à fábrica - afinal, o projeto ambicioso foi o que mais gerou empregos em 2005 em Osasco! “Me sinto um iluminado! Hoje tenho reconhecimento da comunidade industrial e sei da minha função social para a comunidade!, comenta o palestrante, que mostrou aos alunos da FIPEN e convidados os projetos sociais realizados. “Somos uma das empresas que mais contrata jovens, por meio do Programa Formare e pela JUCO (Juventude Cívica de Osasco). Oferecemos tratamento odontológico gratuito a todos os funcionários. Também participamos do programa de destruição de armas para o Exército Brasileiro.”

 

Mas as aquisições de empresas não terminaram! Em 2005, adquiriu a Flacamp – uma fábrica na região de Campinas, ao lado do presídio de Hortolândia, onde estavam acampados os funcionários que haviam ficado sem receber com o fechamento da empresa. Pagou todos e retomou as atividades! Em 2009, criou a Etna Steel, de uma outra empresa com problemas, cujos 600 funcionários foram demitidos por telegrama.

 

Hoje, perto dos 70 anos, parar não está nos planos de Carlos Seicentos. Quer negociar suas empresas e continuar tocando a Flanaço. “Os sonhos de alguém com minha idade é diferente de um jovem. Só quero que tudo o que fiz não desapareça.”

 

Ao abrir um momento para perguntas dos alunos e convidados, Seicentos se deparou com uma surpresa. O aluno Fernando Alves de Oliveira, do terceiro período de Administração da FIPEN, levantou-se e prestou uma homenagem ao primeira patrão: “Quero agradecê-lo pelas oportunidades que tive no RH da Flanel, onde entrei como 'JUCO', ajudando na folha de pagamentos”. Seicentos emocionou-se e reconheceu o rapaz, que saiu da empresa em busca do sonho de seguir a carreira jurídica. “Se tiver interesse em voltar, estamos com as portas abertas!”, convidou.

 

Ao final, todos os presentes ganharam o livro “O Sucesso de um aposentado de aço”, de Antonio Julio Baltazar e Fábio Galvão, que conta em detalhes essa grande história de vida! Maria Lucia Gili Massi, coordenadora da FIPEN, presenteou o palestrante e agradeceu sua vinda, que encheu os futuros administradores da instituição de motivação!




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